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Vai Abrir uma Clínica? Alugar ou Comprar um Imóvel: Qual a Melhor Decisão Financeira?

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  • há 2 dias
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Vai Abrir uma Clínica? Alugar ou Comprar um Imóvel: Qual a Melhor Decisão Financeira?
Vai Abrir uma Clínica? Alugar ou Comprar um Imóvel: Qual a Melhor Decisão Financeira?

A escolha do ponto pode acelerar seu lucro ou “congelar” seu caixa por anos — entenda o que a gestão profissional avalia antes de decidir


Introdução


Ao planejar a abertura de uma clínica médica ou odontológica, a decisão entre alugar ou comprar o imóvel costuma ser tratada como “questão de preferência”. Na prática, é uma decisão de estrutura de capital: você está escolhendo entre preservar liquidez (aluguel) ou imobilizar recursos (compra) — e essa escolha impacta diretamente capital de giro, capacidade de investimento e risco de sobrevivência nos primeiros anos.


Esse ponto fica ainda mais relevante quando olhamos a mortalidade empresarial no Brasil. Dados do IBGE indicam que, entre empresas empregadoras nascidas em 2017, apenas 37,3% sobreviveram até 2022 (cinco anos), o que ajuda a explicar por que o início do negócio precisa ser financeiramente conservador e bem planejado.


Além disso, o contexto de juros importa. Em janeiro de 2026, a Selic está em 15% ao ano, o que encarece financiamentos e aumenta o custo de oportunidade do capital próprio — tornando a “compra por impulso” um erro caro quando o negócio ainda está em validação.

Dica prática: se você ainda não tem previsibilidade de demanda e margem, trate o imóvel como meio (operar) e não como fim (patrimônio). Nos primeiros 12 a 24 meses, o objetivo é provar o modelo e proteger o caixa.


1) Quando alugar é a decisão mais inteligente


Alugar costuma ser superior quando sua clínica está em fase de implantação e precisa preservar caixa para: reformas essenciais, equipamentos, marketing, equipe, sistemas, capital de giro e reservas. O aluguel “transforma” um desembolso grande (compra) em uma despesa previsível, permitindo corrigir rota se a demanda real não corresponder ao plano.


Outro ponto é flexibilidade. Clínicas mudam: especialidades crescem, a agenda exige mais salas, a região ideal se revela na prática. O Sebrae reforça que a escolha entre alugar e financiar/ter imóvel próprio impacta a saúde financeira e a estratégia, e que o imóvel próprio pode ser patrimônio — mas a decisão precisa caber no caixa e no momento do negócio.


Exemplo prático: uma clínica odontológica abre com 2 consultórios e acredita que precisará de 4 em 18 meses. Se ela compra um imóvel “no limite” hoje, pode ficar travada: sem caixa para expandir, sem capital para marketing e com risco de operar com agenda ociosa. Com aluguel (e cláusula de expansão/mudança), ela mantém liberdade para crescer no ritmo da demanda.


Dica prática: estabeleça um “teto” de aluguel como percentual da receita projetada. Como regra conservadora, se o aluguel pressionar demais seu caixa (especialmente antes de você ter recorrência), ele vira um risco operacional.


2) Quando comprar pode ser a melhor decisão


Comprar pode fazer sentido quando a clínica já tem maturidade: demanda comprovada, margem consistente, equipe estabilizada e indicadores acompanhados (DRE, fluxo de caixa projetado, ponto de equilíbrio). Nessa fase, a compra pode reduzir incerteza (dependência de renovação/repasse de aluguel) e criar um ativo que pode servir de garantia para expansão.


Também pode ser estratégico quando você encontra um imóvel que “encaixa” com o negócio por muitos anos: localização premium, restrições de oferta (poucos imóveis adequados), ou quando a customização necessária é alta e você quer proteger esse investimento no longo prazo.


Mas atenção: em juros altos, o financiamento pode destruir valor se a parcela comprometer capital de giro. Com Selic elevada, a clínica precisa de uma folga maior entre geração de caixa e obrigações fixas para não transformar patrimônio em sufoco.


Dica prática: antes de comprar, simule o pior cenário realista (queda de volume, glosas/atrasos, sazonalidade) e verifique se a clínica ainda paga parcela + operação sem atrasar fornecedor, folha e impostos.


3) A análise que quase ninguém faz: custo de oportunidade e “lucro travado”


O erro mais comum é comparar “aluguel que vai embora” versus “parcela que vira patrimônio”. A comparação correta é: qual retorno o capital geraria se ficasse na clínica, em vez de virar entrada do imóvel? Em clínica nova, capital em marketing, conversão, processos e retenção costuma gerar retorno operacional mais rápido do que patrimônio imobiliário.


Se você imobiliza R$ 500 mil em entrada, esse dinheiro deixa de financiar: aquisição de pacientes, time comercial/recepção, tecnologia, reforma eficiente, estoque, capital de giro e reservas. Em mercados competitivos, “caixa” é oxigênio — e clínica sem oxigênio pode fechar antes do imóvel “se pagar”.


Aqui entra a lógica de sobrevivência: se o negócio ainda está provando estabilidade, o risco de travar caixa é maior do que o benefício patrimonial. Os dados de sobrevivência de empresas reforçam que o período crítico exige decisões que protejam liquidez e capacidade de adaptação.


Dica prática: trate a entrada do imóvel como um investimento e compare com alternativas internas: “Se eu colocar esse valor no crescimento da clínica, em quanto tempo retorno e com qual risco?”


4) Um framework prático para decidir em 30 minutos


Primeiro, avalie o estágio: clínica em validação (0–24 meses) tende a favorecer aluguel; clínica estabilizada (24+ meses, margem previsível) pode avaliar compra. Segundo, avalie caixa: você tem reserva operacional (ex.: 6 meses de custos fixos)? Se não tem, comprar geralmente aumenta risco.


Terceiro, simule a pressão de fixos: aluguel ou parcela + condomínio + IPTU + manutenção + seguro + eventuais adequações. O “custo total de ocupação” é o que importa. Quarto, avalie a flexibilidade: a clínica precisará mudar de região? Vai crescer em número de salas? Depende de acessibilidade e estacionamento? Essas variáveis, na prática, valem mais do que qualquer “sensação de segurança” do imóvel próprio.


Por fim, avalie estratégia: você quer ser uma empresa de saúde (foco em operação e margem) ou também uma empresa imobiliária (foco em patrimônio)? Misturar os dois cedo demais é uma causa comum de descapitalização.


Dica prática: se você está entre “alugar e comprar”, muitas vezes a decisão correta é “alugar bem escolhido” com contrato negociado: carência, desconto por reforma, prazo maior e cláusulas de renovação.


Conclusão


A decisão entre alugar ou comprar imóvel para abrir uma clínica não é emocional: é uma decisão de risco, liquidez e estratégia. No início, a prioridade quase sempre deve ser preservar caixa para estruturar operação, construir previsibilidade e reduzir a chance de mortalidade no período crítico de sobrevivência empresarial.


Comprar pode ser excelente — mas tende a funcionar melhor quando a clínica já tem maturidade operacional e consegue sustentar o custo total de ocupação sem sacrificar capital de giro. Em um cenário de juros elevados, essa cautela precisa ser ainda maior, porque o custo financeiro do dinheiro é alto e o erro fica mais caro.


Se você quer tomar essa decisão com segurança, faça como a gestão profissional faz: compare cenários, simule fluxo de caixa, considere custo de oportunidade e avalie crescimento futuro do negócio. A melhor decisão é aquela que mantém sua clínica lucrativa, flexível e financeiramente viva — porque sem isso, nem o melhor imóvel salva a operação.


Dica prática: antes de assinar contrato de locação ou compra, feche um “pacote mínimo de decisão”: projeção de fluxo de caixa de 12 meses, ponto de equilíbrio, custo total de ocupação e plano de expansão (salas, equipe e equipamentos). Isso evita decisões definitivas com informações provisórias.


Para mais informações sobre nosso trabalho e como podemos ajudar sua clínica ou consultório, entre em contato!


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