Como Calcular o Custo de Uso do Equipamento de Escleroterapia a Laser em Clínicas Vasculares
- Admin

- 9 de set.
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Atualizado: 10 de set.

Descubra como calcular de forma prática e profissional o custo por sessão do laser em escleroterapia, considerando investimento, manutenção, energia e insumos, para precificar com segurança e garantir a rentabilidade do seu consultório vascular.
Introdução
Em clínicas de angiologia e cirurgia vascular, o investimento em equipamentos de ponta é cada vez mais comum, especialmente em tecnologias como o laser para escleroterapia. Porém, muitos médicos enfrentam uma dificuldade prática: como calcular o custo real de uso desse equipamento em cada consulta ou tratamento?
Não considerar corretamente esses custos pode comprometer a precificação dos procedimentos, gerar margens de lucro distorcidas e até levar ao subdimensionamento da rentabilidade. Por outro lado, um cálculo bem estruturado fornece clareza, segurança e profissionalismo na gestão financeira da clínica.
Neste artigo, vamos detalhar passo a passo como calcular o custo de uso de um equipamento de escleroterapia a laser, apresentando uma memória de cálculo completa e adaptada à realidade das clínicas vasculares no Brasil.
1. Custo de aquisição e depreciação
O ponto de partida é o valor de compra do equipamento. Suponhamos que o laser custe R$ 80.000 e tenha uma vida útil de 5 anos. A depreciação deve ser dividida pela quantidade de sessões realizadas no período.
Se a clínica realiza 100 sessões por mês (1.200 por ano), teremos:
Depreciação anual: R$ 80.000 ÷ 5 = R$ 16.000.
Depreciação por sessão: R$ 16.000 ÷ 1.200 ≈ R$ 13,30/sessão.
Assim, apenas o custo do investimento inicial já representa R$ 13,30 por atendimento.
2. Custos de manutenção preventiva e corretiva
Equipamentos médicos de alta tecnologia exigem manutenção periódica. Em média, clínicas devem considerar 5% a 10% do valor do equipamento ao ano em manutenções.
No nosso exemplo, com um laser de R$ 80.000, o custo anual estimado é:
Manutenção: R$ 80.000 x 7% ≈ R$ 5.600/ano.
Custo por sessão: R$ 5.600 ÷ 1.200 ≈ R$ 4,65/sessão.
Esse valor cobre revisões técnicas, substituição de peças e suporte especializado.
3. Consumo de energia elétrica
O consumo de energia costuma ser pequeno, mas deve ser contabilizado. Considerando um laser com potência de 800 W (0,8 kW) e sessões de 30 minutos (0,5h), em uma região onde o custo médio do kWh é R$ 0,90, temos:
Consumo por sessão: 0,8 kW x 0,5h = 0,4 kWh.
Custo: 0,4 x R$ 0,90 ≈ R$ 0,36/sessão.
Embora de baixo impacto, esse valor compõe a conta final.
4. Insumos associados ao uso do laser
Além da depreciação e manutenção, alguns insumos devem ser considerados, como gel condutor ou materiais descartáveis de apoio. Em média, o custo adicional fica entre R$ 2 e R$ 5 por sessão.
Para o exemplo, vamos considerar R$ 3,00 por sessão.
5. Memória de cálculo final
Somando todos os componentes:
Depreciação: R$ 13,30
Manutenção: R$ 4,65
Energia: R$ 0,36
Insumos: R$ 3,00
Custo final por sessão ≈ R$ 21,31
Esse valor representa o custo direto do uso do equipamento. Para precificação correta, é fundamental acrescentar:
Custos fixos rateados da clínica (aluguel, secretária, contabilidade, softwares).
Honorários médicos.
Margem de lucro desejada (geralmente entre 20% e 40%).
E se o laser for alugado? Como fazer o cálculo?
Quando o laser é alugado (e não comprado), o custo a embutir em cada sessão vem do rateio do pacote mensal de aluguel e custos associados pela quantidade efetiva de sessões realizadas, somado aos custos variáveis por sessão. Use este passo a passo.
Passo a passo do cálculo
Defina os custos mensais fixos do equipamento - Aluguel mensal (AL) + seguro (SG) + instalação/frete rateados (IF) + treinamento rateado (TR). Se instalação e treinamento foram pagos à vista, dilua por um período realista, ex.: 12 meses.
• Custo fixo mensal do equipamento = AL + SG + IF + TR
Estime a produção efetiva no mês - Previsão de sessões agendadas no mês (Q) X fator de utilização (FU, em %) para descontar faltas, remarcações e ociosidade.
• Sessões efetivas = Q X FU
Calcule o custo fixo por sessão do equipamento - Custo fixo por sessão = Custo fixo mensal do equipamento ÷ Sessões efetivas
Some os custos variáveis por sessão - Consumíveis (ponteira, gel, EPI), energia elétrica estimada por sessão e eventual desgaste de ponteira/consumível específico do laser.
• Custo variável por sessão = consumíveis + energia + itens descartáveis
Aplique uma reserva técnica (opcional, recomendada 5% a 15%) - Cobre quebras, logística extra, manutenção não coberta e variações de demanda.
• Custo equipamento por sessão = (Custo fixo por sessão + Custo variável por sessão) X (1 + reserva%)
Este Custo equipamento por sessão é o valor a incluir no preço de cada sessão (além do seu custo clínico: tempo do médico, sala, recepção, taxas financeiras, impostos e margem).
Exemplo numérico rápido
• Aluguel mensal (AL): R$ 4.500
• Seguro (SG): R$ 150
• Instalação/frete pagos à vista: R$ 600, diluir em 12 meses → IF = R$ 50/mês
• Treinamento à vista: R$ 1.200, diluir em 12 meses → TR = R$ 100/mês
• Previsão de produção: Q = 120 sessões/mês
• Fator de utilização: FU = 85% → Sessões efetivas = 120 X 0,85 = 102
• Consumíveis por sessão: ponteira/gel/EPI = R$ 20• Energia por sessão: R$ 1
Custo fixo mensal do equipamento = 4.500 + 150 + 50 + 100 = R$ 4.800
Custo fixo por sessão = 4.800 ÷ 102 = R$ 47,06
Custo variável por sessão = 20 + 1 = R$ 21,00
Subtotal por sessão = 47,06 + 21,00 = R$ 68,06
Reserva técnica 10% → 68,06 X 1,10 = R$ 74,87
Resultado: o custo do equipamento por sessão a incluir na sua precificação é R$ 74,87.
Sensibilidade de volume (impacto direto)
Mantendo os mesmos custos mensais e variáveis:
• 60 sessões, FU 75% → efetivas 45 → fixo por sessão 4.800 ÷ 45 = 106,67; total com variáveis e 10% ≈ R$ 140,34
• 100 sessões, FU 85% → efetivas 85 → total com 10% ≈ R$ 88,36
• 140 sessões, FU 90% → efetivas 126 → total com 10% ≈ R$ 65,33
Dicas práticas
• Calibre Q e FU com dados reais das últimas 4 a 8 semanas; evite superestimar.
• Reveja o cálculo mensalmente se o aluguel for curto ou se a demanda oscilar.
• Separe este custo do honorário clínico e dos custos de sala para manter clareza na formação do preço.
Conclusão
O cálculo do custo de uso do equipamento de escleroterapia a laser é essencial para clínicas de angiologia e cirurgia vascular que desejam precificar seus serviços de forma profissional. A análise deve incluir depreciação, manutenção, energia e insumos, resultando em um custo base por sessão que, no exemplo do laser que foi comprado, ficou em R$ 21,31.
Esse número não é o preço final do procedimento, mas um ponto de partida estratégico. A partir dele, o gestor pode acrescentar despesas fixas, honorários e margens de lucro, chegando a um valor justo para o paciente e sustentável para a clínica.
Em resumo, clínicas que calculam seus custos com rigor financeiro conseguem precificar melhor, planejar investimentos futuros e garantir rentabilidade sem comprometer a qualidade do atendimento.
Para mais informações sobre nosso trabalho e como podemos ajudar sua clínica ou consultório, entre em contato!
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