Vai abrir uma clínica? 7 coisas que você precisa saber antes de tomar esta decisão
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Abrir uma clínica não é só exercer a profissão — é assumir um negócio complexo
Abrir uma clínica médica ou odontológica é o sonho de muitos profissionais da saúde. A ideia de autonomia, agenda própria, crescimento financeiro e construção de patrimônio é sedutora. No entanto, a realidade mostra que uma parcela significativa das clínicas enfrenta dificuldades financeiras nos primeiros anos — não por falta de pacientes, mas por falhas de planejamento e gestão.
Segundo dados do Sebrae, cerca de 60% das empresas de serviços encerram suas atividades antes de completar cinco anos, e no setor de saúde esse índice é fortemente influenciado por erros na precificação, subestimação de custos e decisões tomadas com base apenas na prática clínica, e não na lógica empresarial.
Este artigo foi estruturado para quem está avaliando essa decisão de forma séria. A seguir, você encontrará 7 pontos críticos que precisam estar claros antes de assinar um contrato de aluguel, investir em equipamentos ou abrir um CNPJ. Cada um deles impacta diretamente o risco, o retorno e a sustentabilidade da clínica no médio e longo prazo.
1. Abrir uma clínica é diferente de trabalhar como profissional liberal
Muitos profissionais cometem o erro de acreditar que abrir uma clínica é apenas “trazer o consultório para dentro de uma empresa”. Na prática, você deixa de ser apenas prestador de serviço e passa a ser responsável por um sistema complexo que envolve pessoas, processos, custos fixos e riscos legais.
Quando você atende como profissional liberal, sua renda está diretamente ligada às horas trabalhadas. Em uma clínica, existe uma estrutura que gera despesas independentemente do faturamento: aluguel, equipe, sistemas, impostos, manutenção e marketing. Isso significa que mesmo com agenda vazia, os custos continuam existindo.
Um exemplo prático: uma clínica com custo fixo mensal de R$ 45.000 precisa gerar, no mínimo, esse valor em faturamento apenas para “empatar”. Qualquer erro na estimativa de demanda ou no início da operação pode gerar prejuízo acumulado rapidamente nos primeiros meses.
2. Você precisa dominar o custo da sua hora clínica
Um dos erros mais comuns — e mais perigosos — na abertura de clínicas é não saber quanto custa uma hora de funcionamento da operação. Sem esse dado, qualquer precificação se torna intuitiva, e não estratégica.
O custo da hora clínica envolve dividir o custo fixo mensal (aluguel, salários, encargos, sistemas, energia, limpeza, impostos fixos) pelo número real de horas produtivas da clínica. Não são 220 horas teóricas; são as horas efetivamente disponíveis para atendimento.
Exemplo: se sua clínica tem custo fixo de R$ 40.000 e 160 horas produtivas mensais, cada hora custa R$ 250 antes mesmo de considerar honorários médicos e lucro. Se um procedimento ocupa 30 minutos, o custo estrutural mínimo já é de R$ 125. Ignorar esse cálculo é abrir a clínica já operando no prejuízo sem perceber.
3. Localização não é apenas “bairro nobre”
Escolher o ponto comercial é uma decisão estratégica, não estética. Muitas clínicas quebram pagando aluguéis altos em regiões que não geram volume suficiente de pacientes ou cujo público não aceita o ticket necessário para sustentar a operação.
Localização deve ser analisada sob três prismas: demanda real, perfil socioeconômico e acessibilidade. Um ponto com aluguel de R$ 12.000 pode parecer caro, mas ser viável se gerar fluxo constante. Outro de R$ 6.000 pode ser inviável se exigir alto investimento em marketing para atrair pacientes.
Estudos de geomarketing mostram que clínicas localizadas em regiões com alto fluxo, facilidade de estacionamento e proximidade de polos de serviços têm taxas de ocupação até 30% maiores nos primeiros 12 meses. O erro não é pagar caro — é pagar caro no lugar errado.
4. Estrutura física e equipamentos precisam ser compatíveis com o início do negócio
Um erro recorrente é montar a clínica “no padrão ideal” antes de validar o faturamento. Equipamentos de alto custo, salas ociosas e layouts superdimensionados pressionam o caixa logo nos primeiros meses.
A lógica correta é montar uma estrutura escalável, que permita crescimento progressivo. Muitas clínicas bem-sucedidas iniciam com menos salas, equipamentos essenciais e ampliam conforme a demanda se consolida.
Por exemplo, investir R$ 400.000 em equipamentos financiados pode parecer estratégico, mas se a clínica não gerar fluxo suficiente, o impacto das parcelas pode comprometer o capital de giro. Clínicas que crescem de forma sustentável costumam priorizar viabilidade financeira antes de sofisticação estrutural.
5. Capital de giro não é opcional
Um dos maiores motivos de fechamento precoce de clínicas é a falta de capital de giro. Muitos empreendedores investem todo o recurso disponível na montagem e esquecem que a clínica demora para atingir o ponto de equilíbrio.
O ideal é prever de 6 a 9 meses de custos fixos como reserva financeira. Se sua clínica tem custo mensal de R$ 35.000, o capital de giro recomendado estaria entre R$ 210.000 e R$ 315.000.
Sem essa reserva, qualquer atraso no início do faturamento, sazonalidade ou erro de projeção gera endividamento precoce. Clínicas que começam “no limite” costumam tomar decisões erradas sob pressão, como baixar preços excessivamente ou cortar áreas críticas.
6. Marketing não resolve clínica mal estruturada
Existe uma crença perigosa de que “depois a gente investe em marketing e resolve”. Marketing gera demanda, mas não corrige erros de precificação, processos falhos ou custos desorganizados.
Trazer pacientes para uma clínica que não sabe converter orçamentos, não controla agenda e não entende sua margem apenas acelera o prejuízo. Antes de pensar em anúncios, é preciso estruturar jornada do paciente, atendimento, follow-up e indicadores.
Dados de mercado mostram que clínicas com processos comerciais estruturados convertem até 2,5 vezes mais orçamentos do que clínicas que apenas “respondem mensagens”. Marketing é alavanca — não muleta.
7. Você será gestor antes de ser clínico
Ao abrir uma clínica, você assume o papel de gestor, mesmo que não queira. Decisões sobre pessoas, dinheiro, contratos, fornecedores e estratégia passam a fazer parte da rotina.
Ignorar essa realidade leva muitos profissionais a jornadas exaustivas de 12 a 14 horas por dia, com boa produção clínica, mas baixo resultado financeiro. Isso acontece porque produzir muito não significa lucrar bem.
Clínicas financeiramente saudáveis são aquelas em que o dono entende indicadores como margem, ponto de equilíbrio, ticket médio e taxa de ocupação. Sem isso, a clínica vira um emprego caro, não um negócio.
Conclusão: abrir uma clínica pode ser excelente — se for uma decisão estratégica
Abrir uma clínica é uma decisão que pode gerar autonomia, impacto profissional e construção de patrimônio. Mas também pode se tornar uma fonte constante de estresse financeiro quando feita sem planejamento.
Os profissionais que têm melhores resultados são aqueles que tratam a clínica como empresa desde o primeiro dia: calculam custos, planejam crescimento, protegem o caixa e tomam decisões baseadas em números, não apenas em intuição.
Se você está avaliando abrir uma clínica, a pergunta não é “dá para abrir?”, mas sim: o modelo que estou planejando é financeiramente sustentável? A resposta correta a essa pergunta define se a clínica será um ativo ou um problema nos próximos anos.
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