Os 3 fatores principais que fazem clínicas quebrarem nos dois primeiros anos
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Entenda por que tantas clínicas fecham cedo e como evitar os erros que destroem o caixa antes do negócio amadurecer
Introdução
Abrir uma clínica médica ou odontológica é, para muitos profissionais da saúde, a realização de um sonho de autonomia e crescimento financeiro. No entanto, a realidade do mercado mostra um dado preocupante: uma parcela significativa das clínicas fecha as portas nos dois primeiros anos de operação. Não por falta de pacientes apenas, mas por erros estruturais que poderiam ser evitados com planejamento e gestão.
Segundo levantamentos do Sebrae, cerca de 30% a 40% das empresas de serviços de saúde encerram as atividades antes de completar 24 meses. Esse índice é ainda maior quando falamos de clínicas abertas por profissionais altamente técnicos, mas com pouca experiência em gestão, finanças e estratégia empresarial.
O mais importante é entender que clínicas não quebram “de repente”. Elas quebram por decisões acumuladas, tomadas sem dados, sem método e sem visão financeira. A seguir, você vai entender os três fatores principais que levam clínicas à quebra precoce — e por que eles são tão recorrentes.
Fator 1: Falta de controle financeiro e ilusão de lucro
O erro mais comum — e também o mais perigoso — é confundir faturamento com lucro. Muitas clínicas enchem a agenda, atendem muito, mas não sabem exatamente quanto sobra no final do mês. Sem DRE estruturado, sem fluxo de caixa projetado e sem indicadores claros, o gestor opera no escuro.
Na prática, isso gera decisões equivocadas. Clínicas assumem custos fixos elevados, contratam mais pessoas, aumentam a estrutura e investem em marketing sem saber se a operação atual é sustentável. Um faturamento de R$ 150.000 por mês pode parecer ótimo, mas se os custos totais somam R$ 140.000, o risco é enorme. Qualquer oscilação já gera prejuízo.
Outro ponto crítico é a ausência de provisões. Muitos gestores não provisionam impostos, férias, 13º salário, manutenção de equipamentos e capital de giro. O resultado é previsível: nos primeiros imprevistos, o caixa quebra. Clínicas não quebram por falta de receita, quebram por falta de gestão financeira.
Fator 2: Estrutura de custos maior do que a capacidade real da clínica
Outro fator decisivo é montar uma clínica “grande demais” para o estágio inicial do negócio. Salas sobrando, equipe inchada, equipamentos caros e aluguel elevado criam uma estrutura que exige um volume de atendimentos que a clínica ainda não tem capacidade de gerar.
É muito comum ver clínicas iniciando operações com custos fixos acima de R$ 50.000 mensais, quando o faturamento ainda é instável. Nesse cenário, o ponto de equilíbrio fica alto demais. Se a clínica precisa faturar R$ 120.000 apenas para empatar, qualquer mês abaixo disso gera prejuízo imediato.
Além disso, muitos gestores ignoram o custo por hora parada. Consultórios vazios, agendas com faltas e baixa produtividade corroem o caixa silenciosamente. Uma sala ociosa por 4 horas por dia pode representar milhares de reais perdidos por mês, mesmo que isso não apareça claramente nos relatórios.
Fator 3: Falta de estratégia comercial e dependência de poucos canais
O terceiro fator é a ausência de uma estratégia clara de captação e conversão de pacientes. Muitas clínicas abrem esperando que “os pacientes apareçam”, confiando apenas em indicação espontânea ou em convênios. Esse modelo é frágil e altamente arriscado, especialmente no início.
Clínicas que dependem excessivamente de convênios operam com margens baixas e fluxo imprevisível. Quando há glosas, atrasos de repasse ou descredenciamentos, o impacto no caixa é imediato. Já clínicas particulares que não estruturam marketing, atendimento e follow-up sofrem com agendas vazias e baixa conversão.
Outro erro comum é investir em marketing sem estratégia. Gastar R$ 3.000 ou R$ 5.000 por mês em anúncios sem acompanhar CAC, taxa de conversão e retorno real faz a clínica “comprar faturamento ruim”. O resultado é aumento de volume sem aumento de lucro — e o gestor não entende por que trabalha mais e ganha menos.
Como esses três fatores se conectam (e aceleram a quebra)
O mais perigoso é que esses fatores raramente atuam isoladamente. Normalmente, eles se combinam. Uma clínica com estrutura cara, sem controle financeiro e sem estratégia comercial entra rapidamente em um ciclo de pressão: mais custos, mais esforço, menos margem e mais estresse.
Quando o caixa aperta, o gestor começa a tomar decisões defensivas: corta marketing, atrasa impostos, reduz qualidade, perde equipe e afasta pacientes. Esse ciclo de degradação costuma acontecer entre o 12º e o 24º mês, exatamente quando a clínica deveria estar amadurecendo.
É nesse momento que muitos profissionais concluem, de forma equivocada, que “clínica não dá dinheiro”. Na realidade, o problema não está no modelo de clínica, mas na forma como ela foi estruturada e gerida desde o início.
Conclusão
Clínicas quebram nos dois primeiros anos principalmente por três motivos: falta de controle financeiro, estrutura incompatível com a realidade do negócio e ausência de estratégia comercial consistente. Nenhum desses fatores é técnico — todos são gerenciais.
A boa notícia é que esses erros são previsíveis e evitáveis. Clínicas que começam menores, com custos controlados, indicadores claros e estratégia de captação bem definida têm muito mais chance de sobreviver, crescer e se tornar lucrativas.
Antes de pensar em expandir, contratar ou investir mais, a pergunta central deve ser: minha clínica é financeiramente sustentável hoje? Responder isso com dados — e não com achismos — é o que separa clínicas que quebram cedo daquelas que constroem resultados sólidos e duradouros.
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