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Cuidado com a Ilusão: Como o Alto Faturamento Pode Enganar sua Clínica

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    Admin
  • 5 de fev.
  • 4 min de leitura

Cuidado com a Ilusão: Como o Alto Faturamento Pode Enganar sua Clínica
Cuidado com a Ilusão: Como o Alto Faturamento Pode Enganar sua Clínica

Por que clínicas que “faturam muito” podem estar mais próximas do prejuízo do que do lucro


Introdução: faturamento alto não é sinônimo de sucesso


Muitos gestores de clínicas médicas e odontológicas acreditam que um faturamento elevado é prova de sucesso. Agenda cheia, muitos atendimentos e números expressivos no extrato bancário transmitem uma falsa sensação de prosperidade. No entanto, essa visão superficial é uma das principais armadilhas da gestão em saúde. Faturamento não é lucro, e confundir esses conceitos pode levar clínicas financeiramente frágeis a decisões perigosas.


Na prática, é comum encontrar clínicas que faturam R$ 300 mil, R$ 500 mil ou até mais por mês, mas que enfrentam dificuldades para pagar fornecedores, atrasam impostos ou dependem de capital pessoal dos sócios para sobreviver. Isso acontece porque o faturamento bruto ignora custos, desperdícios, ineficiências operacionais e erros de precificação — fatores que corroem silenciosamente os resultados.


Este artigo foi escrito para alertar gestores e profissionais de saúde sobre essa ilusão comum. Ao longo do conteúdo, você entenderá por que faturar muito pode esconder prejuízos, quais indicadores realmente importam e como estruturar uma clínica financeiramente saudável, sustentável e orientada por lucro real, e não apenas por volume de receita.


A diferença entre faturamento, lucro e caixa: onde a maioria erra


O primeiro erro conceitual está em tratar faturamento como dinheiro disponível. Faturamento é apenas o valor total das vendas realizadas, sem considerar custos, impostos, repasses médicos, taxas e despesas operacionais. Já o lucro é o que sobra após todas essas deduções — e o caixa é o dinheiro efetivamente disponível para pagar obrigações.


Exemplo prático:

Uma clínica fatura R$ 400.000 por mês. À primeira vista, parece um ótimo negócio. Porém, ao analisar os números:

  • Custos fixos (aluguel, equipe, sistemas): R$ 160.000

  • Custos variáveis (insumos, taxas, exames): R$ 110.000

  • Repasses médicos: R$ 90.000

  • Impostos: R$ 30.000


Resultado: R$ 390.000 de custos totais.Lucro real: R$ 10.000, ou apenas 2,5% de margem.


Esse é um cenário extremamente arriscado. Pequenas variações de custos, inadimplência ou queda de demanda já colocariam essa clínica no prejuízo. Mesmo faturando alto, o negócio está financeiramente vulnerável.


O crescimento desorganizado que destrói margens


Outro fator que reforça a ilusão do alto faturamento é o crescimento sem controle. Muitas clínicas aumentam volume de atendimentos, ampliam horários, contratam mais profissionais e aceitam convênios pouco rentáveis acreditando que “mais pacientes resolvem tudo”. Na prática, isso costuma aumentar o trabalho e reduzir o lucro.


Estudos de gestão em saúde mostram que clínicas que crescem sem planejamento tendem a perder entre 5% e 15% de margem operacional nos primeiros 12 meses de expansão. Isso ocorre porque o aumento de custos costuma ser mais rápido do que o crescimento da eficiência.


Exemplo prático:

Uma clínica que faturava R$ 200.000 com margem de 25% (R$ 50.000 de lucro) decide dobrar o faturamento para R$ 400.000. Para isso, contrata mais equipe, amplia a estrutura e aceita convênios com repasse menor. Ao final, a margem cai para 10%.Lucro final: R$ 40.000, mesmo faturando o dobro.


Mais faturamento, mais risco, menos retorno.


Convênios, descontos e o falso volume saudável


Convênios médicos e odontológicos são outro elemento clássico da ilusão do faturamento. Eles aumentam o volume de atendimentos, mas frequentemente reduzem o valor recebido por procedimento. Sem controle de custos, a clínica pode estar pagando para trabalhar.


Dados do setor indicam que muitos convênios remuneram procedimentos com valores até 40% abaixo do custo real, quando considerados impostos, estrutura e repasses médicos. Ainda assim, essas receitas entram no faturamento bruto, inflando números que não se convertem em lucro.


Exemplo prático:

Um procedimento particular gera R$ 300 de receita, com custo total de R$ 180 → lucro de R$ 120.O mesmo procedimento via convênio gera R$ 170, com custo de R$ 160 → lucro de apenas R$ 10.


Se a clínica migra grande parte da agenda para convênios, o faturamento sobe, mas a rentabilidade despenca. O gestor vê números maiores, mas o caixa não melhora.


Indicadores que realmente mostram se a clínica vai bem


Para fugir da ilusão do faturamento, o gestor precisa acompanhar indicadores corretos. Os principais são:

  • Margem de lucro líquida (idealmente acima de 15% a 20%)

  • Custo por procedimento

  • Ponto de equilíbrio mensal

  • Ticket médio real

  • Geração de caixa


Clínicas saudáveis financeiramente costumam operar com faturamento suficiente para cobrir o ponto de equilíbrio em até 60% da capacidade instalada. Quando a clínica precisa de 90% ou 100% da agenda cheia apenas para “empatar”, o risco é elevado.


Exemplo prático:

Se o ponto de equilíbrio da clínica é R$ 250.000 mensais e ela fatura R$ 280.000, qualquer oscilação já compromete a operação. Já uma clínica que fatura R$ 350.000 com o mesmo ponto de equilíbrio tem margem de segurança e capacidade de investimento.


Conclusão: clínica forte não é a que fatura mais, é a que lucra melhor


O alto faturamento pode ser sedutor, mas também perigoso. Ele mascara ineficiências, esconde erros de precificação, justifica decisões ruins e cria uma falsa sensação de segurança. Clínicas quebram não por falta de pacientes, mas por falta de gestão financeira estratégica.


Negócios sustentáveis em saúde são aqueles que conhecem seus números, controlam custos, precificam corretamente e tomam decisões baseadas em margem, caixa e risco — não apenas em volume. Faturar menos, com mais lucro e previsibilidade, é sempre melhor do que faturar muito e viver no limite.


Se a sua clínica cresce, mas o dinheiro nunca sobra, talvez o problema não seja falta de demanda — e sim a ilusão do faturamento. Entender isso é o primeiro passo para transformar uma clínica ocupada em uma clínica realmente lucrativa e segura no longo prazo.


Para mais informações sobre nosso trabalho e como podemos ajudar sua clínica ou consultório, entre em contato!

Senior Consultoria em Gestão

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