Como Calcular o Lucro Real de uma Clínica Médica: Passo a Passo Completo
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O método correto para sair do achismo, identificar margens ocultas e tomar decisões financeiras seguras na gestão da sua clínica
Introdução
Muitas clínicas médicas confundem faturamento com lucro. Agenda cheia, alto volume de atendimentos e fluxo constante de pacientes passam a sensação de sucesso financeiro, mas, na prática, uma parcela significativa dessas clínicas opera com margem baixa, instável ou até negativa. Segundo levantamentos do SEBRAE, mais de 50% das empresas do setor de saúde não conhecem com precisão seu lucro líquido mensal, o que compromete decisões estratégicas e aumenta o risco financeiro.
O problema central é que o lucro real não aparece automaticamente no extrato bancário. Ele depende de uma análise estruturada que envolva custos diretos, custos indiretos, impostos, despesas ocultas e a correta separação entre pessoa física e jurídica. Sem esse método, o gestor toma decisões baseadas em percepção, não em dados, o que costuma gerar erros em precificação, contratação e expansão.
Calcular o lucro real da clínica médica é um processo técnico, mas totalmente possível quando feito passo a passo. Mais do que um exercício contábil, esse cálculo revela quais serviços realmente dão resultado, onde o dinheiro está sendo perdido e quais ajustes geram impacto imediato no caixa.
Passo 1: Identifique o faturamento real da clínica (não apenas o que entra no banco)
O primeiro erro comum é considerar faturamento apenas como o dinheiro recebido no mês. O faturamento real deve refletir tudo o que foi produzido, independentemente de quando será recebido. Isso inclui atendimentos particulares, convênios, procedimentos parcelados e valores ainda em processamento.
Por exemplo, uma clínica pode ter recebido R$ 180 mil no mês, mas ter produzido R$ 230 mil em serviços, sendo R$ 50 mil ainda pendentes de convênios ou parcelamentos. Se o gestor analisa apenas o valor recebido, ele subestima o desempenho e toma decisões equivocadas sobre capacidade, agenda e investimentos.
Além disso, é fundamental separar faturamento por tipo de serviço: consultas, exames, procedimentos e pacotes. Clínicas que fazem essa separação conseguem identificar rapidamente quais linhas sustentam o negócio e quais apenas ocupam agenda, algo essencial para o cálculo correto do lucro.
Passo 2: Levante todos os custos fixos com precisão
Custos fixos são aqueles que existem independentemente do volume de atendimentos. Entre os principais estão aluguel, condomínio, energia, água, internet, sistemas, folha administrativa, marketing recorrente, contabilidade e despesas financeiras.
Um erro recorrente é subestimar esses custos ou diluí-los de forma incorreta. Por exemplo, uma clínica com custo fixo mensal de R$ 90 mil precisa gerar margem suficiente para cobrir esse valor antes de falar em lucro. Se o gestor não conhece esse número com clareza, qualquer análise posterior fica comprometida.
Na prática, clínicas médicas costumam ter custos fixos representando entre 40% e 60% do faturamento bruto, dependendo do porte e do modelo de negócio. Mapear cada item, mesmo os menores, é essencial para enxergar o impacto real no resultado final.
Passo 3: Calcule corretamente os custos variáveis por atendimento
Custos variáveis são aqueles diretamente ligados ao atendimento do paciente. Incluem materiais médicos, descartáveis, exames terceirizados, comissões, repasses médicos, taxas de cartão e impostos sobre faturamento.
Um exemplo comum: uma consulta particular de R$ 300 pode parecer rentável, mas ao somar taxa de cartão (3%), imposto, custo de sala, recepção, sistema e tempo médico, o custo real pode chegar a R$ 210. Nesse cenário, a margem real é de apenas R$ 90 — ou 30%. Em alguns casos, esse valor pode ser ainda menor.
Clínicas que não calculam custo variável por serviço acabam mantendo procedimentos com margem negativa, principalmente quando trabalham com convênios mal negociados ou preços definidos apenas com base na concorrência.
Passo 4: Separe pró-labore, retiradas e custos pessoais
Outro erro crítico é misturar finanças da clínica com finanças pessoais. Retiradas não planejadas, pagamento de despesas pessoais pela empresa e ausência de pró-labore distorcem completamente o cálculo do lucro.
O lucro real só aparece depois que:
pró-labore dos sócios está definido
impostos estão provisionados
todas as despesas da operação foram reconhecidas
Se o gestor retira dinheiro “quando sobra”, sem critério, ele pode estar consumindo o próprio capital de giro sem perceber. Clínicas organizadas trabalham com pró-labore fixo e distribuição de lucros apenas após fechamento do resultado.
Passo 5: Apure o lucro operacional e o lucro líquido
Após levantar faturamento, custos fixos e variáveis, chega-se ao lucro operacional, que mostra se a operação da clínica é viável. Em seguida, devem ser descontados impostos, juros, despesas extraordinárias e ajustes para chegar ao lucro líquido real.
Exemplo simplificado:
Faturamento mensal: R$ 250.000
Custos fixos: R$ 100.000
Custos variáveis: R$ 90.000
Lucro operacional: R$ 60.000
Impostos e ajustes: R$ 18.000
Lucro líquido real: R$ 42.000 (16,8%)
Clínicas médicas bem estruturadas costumam operar com margem líquida entre 12% e 25%, dependendo da especialidade, mix de serviços e nível de gestão.
Passo 6: Use o lucro real para tomar decisões estratégicas
O cálculo do lucro não é o fim do processo, mas o começo da gestão estratégica. Com os números corretos, o gestor consegue decidir com segurança sobre contratação, investimentos, marketing, expansão ou revisão de serviços.
Clínicas que passam a calcular lucro real mensalmente costumam identificar oportunidades rápidas de melhoria, como ajuste de agenda, revisão de preços, renegociação com fornecedores e reorganização da equipe. Em muitos casos, é possível aumentar a margem em 15% a 25% sem aumentar faturamento, apenas corrigindo distorções.
Além disso, o lucro real é base para valuation, planejamento tributário e decisões de longo prazo. Sem ele, qualquer crescimento se torna arriscado.
Conclusão
Calcular o lucro real de uma clínica médica exige método, disciplina e visão empresarial. Não se trata apenas de saber quanto entrou ou sobrou no mês, mas de entender profundamente como a clínica gera valor, onde perde dinheiro e quais decisões impactam o resultado.
Clínicas que dominam seus números deixam de operar no improviso e passam a crescer com previsibilidade, segurança e sustentabilidade. O lucro real traz clareza, reduz riscos e transforma a gestão em um processo estratégico, não reativo.
Em um mercado cada vez mais competitivo, saber calcular e interpretar o lucro real não é diferencial — é condição básica para a sobrevivência e o crescimento saudável da clínica médica.
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