Como Abrir Sua Clínica Médica da Forma Correta e Evitar os Erros que Levam Clínicas a Fechar nos Primeiros Anos
- Admin

- 27 de dez. de 2025
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ejamento, gestão e decisões estratégicas que diferenciam clínicas sustentáveis de negócios que não sobrevivem
Introdução: por que tantas clínicas médicas fecham antes de se consolidar?
Abrir uma clínica médica é o sonho de muitos profissionais de saúde que desejam mais autonomia, melhor remuneração e controle sobre sua agenda. No entanto, a realidade do mercado mostra que uma parcela significativa dessas clínicas não sobrevive aos primeiros anos de operação. Segundo dados do Sebrae, cerca de 50% das pequenas empresas brasileiras encerram suas atividades antes de completar cinco anos, e o setor de serviços de saúde está inserido nesse contexto.
O principal erro está em tratar a clínica apenas como um espaço assistencial, e não como uma empresa. Muitos médicos dominam a técnica clínica, mas não receberam formação em gestão, finanças, legislação ou estratégia empresarial. Essa lacuna faz com que decisões críticas sejam tomadas com base em achismos, experiências de colegas ou modelos genéricos que não refletem a realidade do negócio.
Abrir uma clínica da forma correta exige método, planejamento e visão de longo prazo. Quando esses pilares não são considerados desde o início, problemas como falta de capital de giro, custos descontrolados, precificação inadequada e conflitos societários surgem rapidamente, comprometendo a viabilidade do empreendimento.
Planejamento estratégico e estudo de viabilidade: o primeiro passo ignorado
Um dos erros mais comuns ao abrir uma clínica médica é pular a etapa de planejamento estratégico e estudo de viabilidade financeira. Muitos empreendedores escolhem o ponto, alugam o imóvel e compram equipamentos antes mesmo de entender se o volume de atendimentos previsto será suficiente para cobrir os custos fixos e gerar lucro. Esse comportamento aumenta exponencialmente o risco de prejuízo nos primeiros meses.
O estudo de viabilidade avalia demanda, perfil da população, concorrência, mix de serviços, ticket médio esperado e custos operacionais. Ele permite responder perguntas fundamentais, como: quantos atendimentos são necessários por mês para atingir o ponto de equilíbrio? Qual faturamento mínimo sustenta a estrutura planejada? Qual especialidade ou serviço será o principal gerador de caixa da clínica?
Clínicas que iniciam suas operações com planejamento estruturado têm maior previsibilidade financeira e capacidade de ajuste. Estudos de mercado indicam que negócios que realizam planejamento financeiro e estratégico antes da abertura aumentam em até 30% suas chances de sobrevivência nos primeiros cinco anos, quando comparados àqueles que iniciam de forma improvisada.
Estrutura física e custos: quando o excesso compromete o caixa
Outro erro frequente está na superdimensionamento da estrutura física. É comum que médicos, ao abrirem sua primeira clínica, optem por espaços grandes, alto padrão de acabamento e equipamentos sofisticados, acreditando que isso garantirá sucesso e autoridade imediata. No entanto, essa decisão costuma elevar drasticamente os custos fixos e pressionar o fluxo de caixa desde o primeiro mês.
Aluguel elevado, condomínio, manutenção, energia, limpeza e recepção são despesas que independem do número de pacientes atendidos. Quando a clínica ainda está em fase de consolidação, esses custos podem consumir grande parte da receita, deixando pouca margem para reinvestimento ou reserva financeira. Dados de consultorias especializadas mostram que clínicas que começam com estrutura enxuta apresentam maior taxa de sobrevivência do que aquelas que iniciam com custos fixos elevados.
A forma correta de abrir uma clínica passa por alinhar estrutura ao estágio do negócio. Começar menor, com possibilidade de expansão planejada, reduz riscos e permite ajustes conforme a demanda real se confirma. A sofisticação deve ser consequência do crescimento, e não um fator que o inviabilize.
Regularização jurídica, sanitária e tributária: erros que custam caro
Ignorar ou subestimar as exigências legais é outro fator que leva clínicas a fecharem precocemente. A abertura correta envolve registro da empresa, definição adequada do CNAE, alvará de funcionamento, licença da vigilância sanitária, registro no conselho profissional e adequação às normas da ANVISA. Qualquer falha nesse processo pode resultar em multas, interdições ou ações judiciais.
Além disso, a escolha do regime tributário impacta diretamente a rentabilidade da clínica. Muitos médicos optam automaticamente pelo Simples Nacional sem analisar se essa é, de fato, a melhor opção para seu perfil de faturamento e estrutura de custos. Em alguns casos, o Lucro Presumido pode gerar economia tributária significativa quando bem planejado.
Clínicas que não realizam planejamento tributário desde o início costumam pagar mais impostos do que o necessário ou enfrentar problemas fiscais ao longo do tempo. A abertura correta exige acompanhamento contábil especializado no setor de saúde, capaz de alinhar conformidade legal e eficiência financeira.
Gestão financeira e precificação: o erro silencioso que destrói clínicas
Um dos principais motivos de fechamento de clínicas médicas está na má gestão financeira. Muitos empreendedores não controlam fluxo de caixa, não separam finanças pessoais das empresariais e não acompanham indicadores básicos, como margem de lucro, ticket médio e ponto de equilíbrio. Sem esses dados, decisões estratégicas tornam-se arriscadas.
A precificação inadequada é um reflexo direto dessa falta de controle. Cobrar valores abaixo do necessário para sustentar a operação é mais comum do que se imagina, especialmente quando o preço é definido apenas com base na concorrência. Estudos apontam que mais de 70% das clínicas não conhecem sua margem líquida real por procedimento, o que compromete a sustentabilidade do negócio.
Abrir a clínica da forma correta significa estruturar desde o início controles financeiros, relatórios gerenciais e uma política de preços baseada em custos, valor percebido e posicionamento de mercado. Isso garante não apenas sobrevivência, mas capacidade de crescimento saudável.
Conclusão: abrir certo é mais importante do que abrir rápido
O fechamento precoce de clínicas médicas raramente está relacionado à falta de pacientes ou competência técnica. Na maioria dos casos, ele é consequência de decisões mal planejadas, tomadas antes mesmo da clínica iniciar suas atividades. Abrir rápido, sem método, costuma custar caro no médio prazo.
Abrir sua clínica médica da forma correta exige planejamento estratégico, estrutura adequada, conformidade legal e gestão financeira profissional. Esses pilares reduzem riscos, aumentam previsibilidade e criam bases sólidas para crescimento sustentável. Clínicas que nascem organizadas enfrentam crises com mais resiliência e tomam decisões com maior segurança.
Se o objetivo é construir um negócio duradouro, lucrativo e menos dependente do esforço individual do médico, o caminho não está na improvisação, mas na gestão consciente desde o primeiro passo. A clínica que sobrevive aos primeiros anos é, quase sempre, aquela que foi planejada como empresa desde o início.
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