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A Clínica Cresce, Mas o Lucro Some: O Peso dos Custos Fixos no Faturamento Mensal

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A Clínica Cresce, Mas o Lucro Some: O Peso dos Custos Fixos no Faturamento Mensal
A Clínica Cresce, Mas o Lucro Some: O Peso dos Custos Fixos no Faturamento Mensal

Como entender, medir e controlar os gastos que drenam a lucratividade de clínicas médicas e odontológicas — mesmo com faturamento alto


Introdução


É comum encontrar clínicas médicas que faturam R$ 150 mil, R$ 250 mil ou até mais, mas que apresentam lucro líquido muito abaixo do esperado — por vezes menor que 10 por cento. Essa desigualdade entre crescimento do faturamento e baixa lucratividade é um dos problemas mais recorrentes na gestão da saúde. Por trás desse cenário está quase sempre um inimigo silencioso: os custos fixos descontrolados. Salários altos, contratos mal renegociados, equipamentos que exigem manutenção constante e despesas administrativas crescentes podem consumir o lucro sem que o gestor perceba.


A dificuldade aumenta quando a clínica cresce rápido e a estrutura acompanha esse crescimento sem planejamento. Horários são ampliados, novos profissionais são contratados e novos serviços passam a funcionar, mas sem revisão criteriosa do custo por atendimento e do impacto disso na rentabilidade total. O resultado é um negócio que “aparenta” prosperidade pela movimentação diária de pacientes, mas que não cria caixa suficiente para reinvestir, expandir ou garantir segurança financeira ao proprietário.


De acordo com levantamentos de mercado, clínicas de pequeno e médio porte enfrentam uma taxa média de aumento de custos entre 12 por cento e 18 por cento ao ano, muito acima da inflação em vários períodos recentes. Se o faturamento não cresce no mesmo ritmo — ou cresce sem eficiência — a margem desaparece. Entender a composição dos custos fixos e como controlá-los se tornou, portanto, uma das competências mais estratégicas para qualquer gestor da área da saúde.


O Que São Custos Fixos e Por Que Eles Pesam Tanto no Lucro


Custos fixos são todas as despesas que permanecem independentemente do volume de atendimentos da clínica. Em outras palavras, mesmo que você atenda 10 ou 100 pacientes por dia, esses custos não mudam. São eles que definem a base mínima necessária para que a clínica exista — e também são os responsáveis por impedir o crescimento do lucro quando não são monitorados.


Entre os custos fixos mais relevantes estão: folha de pagamento, aluguel, contratos de softwares de gestão, manutenção de equipamentos, energia, contabilidade, marketing, consultorias, telefonia, contratos de limpeza e segurança. Muitos gestores acreditam que o problema está apenas na folha de pagamento, mas diagnósticos recentes mostram que até 40 por cento dos custos fixos acumulados estão escondidos em contratos

administrativos e despesas parceladas que passam despercebidas ao longo dos meses.


O impacto negativo aparece de forma mais clara quando analisamos o ponto de equilíbrio financeiro. Uma clínica com R$ 250 mil de faturamento e R$ 150 mil de custos fixos, por exemplo, precisa operar com alta eficiência para que sobre caixa. Se houver queda de agenda, falha na conversão, glosas dos convênios ou sazonalidade, a margem desaparece rapidamente. Por isso, gestores de clínicas com faturamento alto frequentemente vivem sob a sensação de “trabalhar muito para ganhar pouco”.


Onde as Clínicas Mais Perdem Dinheiro Sem Perceber


Um dos erros mais comuns está no aumento gradual dos custos fixos sem que haja uma análise mensal consolidada. Essa “escada invisível de gastos” forma-se quando a clínica cresce e passa a contratar novos serviços — normalmente sem renegociação anual, sem cotação paralela e sem previsão orçamentária. Muitos contratos de manutenção, softwares e serviços terceirizados possuem reajustes automáticos anuais que ultrapassam os reajustes permitidos em contratos comerciais convencionais.


Além disso, há um segundo vilão menos comentado: a ociosidade. Quando uma clínica amplia horários de atendimento, contrata mais profissionais ou adiciona novos consultórios sem medir corretamente a demanda, acaba pagando por uma estrutura que não se paga. Pesquisas mostram que a ociosidade média nas clínicas brasileiras chega a 28 por cento, um índice que destrói o lucro e aumenta artificialmente os custos fixos.


Outro ponto crítico está na gestão de materiais e insumos, especialmente em especialidades como odontologia, dermatologia e oftalmologia. A falta de controle gera desperdícios, perda de validade e compras mal planejadas, elevando o custo total por paciente. Embora esses custos sejam variáveis, a má gestão transforma parte deles em um tipo de “custo fixo oculto” que se repete mês a mês.


Como Reduzir Custos Fixos Sem Prejudicar a Operação


A primeira medida é estruturar um orçamento anual, revisado mensalmente, no qual cada categoria de custo tenha um limite percentual do faturamento. Clínicas lucrativas costumam ter custos fixos entre 35 por cento e 50 por cento do faturamento bruto, a depender da especialidade e da intensidade tecnológica do serviço. Passar disso exige ação imediata.


Negociar contratos é outro pilar essencial. Muitos serviços como limpeza, telefonia, manutenção e softwares podem ser renegociados em pacotes mais eficientes, gerando economias expressivas. Uma clínica que revisou seus contratos com operadoras de internet e sistemas de gestão recentemente reduziu seus custos fixos em 22 por cento com uma simples reorganização de fornecedores. Esse tipo de ajuste impacta diretamente o lucro final sem alterar a qualidade assistencial.


Também é essencial realizar uma análise de capacidade produtiva. Salas ociosas, agendas vazias ou horários de baixo movimento devem ser convertidos em estratégias comerciais, tais como preços dinâmicos, pacotes promocionais em horários específicos ou parcerias com profissionais que paguem pela utilização da estrutura. A monetização do espaço reduz o peso dos custos fixos e aumenta a previsibilidade financeira da clínica.


Exemplo Prático de Como Custos Fixos Impactam o Lucro


Imagine uma clínica que fatura R$ 250 mil mensais e possui R$ 140 mil em custos fixos, R$ 70 mil em custos variáveis e R$ 15 mil em glosas e inadimplência. O lucro líquido dessa operação seria de apenas R$ 25 mil. Agora, suponha que essa mesma clínica reduzisse seus custos fixos em 10 por cento, ajustasse contratos e eliminasse glosas. O impacto seria imediato: o lucro saltaria para aproximadamente R$ 45 mil mensais — um aumento de 80 por cento sem atender um único paciente a mais.


Esse exemplo mostra que a solução para aumentar lucratividade nem sempre depende de mais consultas, novos médicos ou mais investimentos em marketing. Muitas vezes, o caminho mais rápido e inteligente é otimizar o que já existe, reduzindo desperdícios e elevando eficiência operacional.


Conclusão


Custos fixos não são apenas números em uma planilha. Eles representam a estrutura que sustenta a clínica — e podem ser tanto o motor quanto o freio do crescimento financeiro. À medida que o negócio cresce, a complexidade aumenta, os contratos se multiplicam e o gestor perde visibilidade sobre gastos que drenam a lucratividade. Controlar custos fixos é, portanto, uma habilidade estratégica que separa clínicas financeiramente saudáveis daquelas que sobrevivem com margens apertadas.


Gestores que desejam ampliar lucro precisam olhar para além do faturamento e compreender profundamente o comportamento das despesas ao longo do tempo. Uma clínica que domina seu orçamento, negocia fornecedores, otimiza a ociosidade e controla desperdícios alcança margens muito superiores e está preparada para expandir com segurança. Em um setor competitivo como o da saúde, a lucratividade não depende apenas do número de pacientes, mas da inteligência de gestão por trás de cada real que entra e sai.


Para mais informações sobre nosso trabalho e como podemos ajudar sua clínica ou consultório, entre em contato!


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